Vejo versos
nas batidas, na beleza, no encanto da destreza das asas de um beija-flor
Vejo versos
nas passadas de um velho que carrega alegria ou então carrega dor
Vejo versos
nas rugas de seu rosto que constroem um caminho de estradas de labor
Vejo versos
na mão de um pedreiro, ferida e doída porque tanto trabalhou
Vejo versos
no finco da enxada do homem que no campo suor ele deixou
Vejo versos
em sua serventia, na dor do fim do dia por tudo que plantou
Vejo versos
olhando para o homem e vendo o grande feito das mãos do Criador
Vejo versos por
tudo o que sofria, na dor que Ele sentia, na cruz que O matou
Vejo versos
no trabalho da formiga, que trabalha todo dia como um agricultor
Vejo versos no
bico do passarinho que lá dentro do seu ninho o filhote alimentou
Vejo versos
no abraço de um amigo que caminha ali comigo esbanjando seu amor
Vejo versos na
vida de um povo que trabalha oprimido, mas que luta com pudor
Vejo versos
em todo movimento, na água e no vento, no frio e no calor
Vejo versos
no homem que é finito, no poeta, no indivíduo que em Deus se inspirou.
(Morais
Filho)