domingo, 27 de maio de 2012

Eu Vejo (di) Versos


Vejo versos nas batidas, na beleza, no encanto da destreza das asas de um beija-flor
Vejo versos nas passadas de um velho que carrega alegria ou então carrega dor
Vejo versos nas rugas de seu rosto que constroem um caminho de estradas de labor
Vejo versos na mão de um pedreiro, ferida e doída porque tanto trabalhou
Vejo versos no finco da enxada do homem que no campo suor ele deixou
Vejo versos em sua serventia, na dor do fim do dia por tudo que plantou
Vejo versos olhando para o homem e vendo o grande feito das mãos do Criador
Vejo versos por tudo o que sofria, na dor que Ele sentia, na cruz que O matou
Vejo versos no trabalho da formiga, que trabalha todo dia como um agricultor
Vejo versos no bico do passarinho que lá dentro do seu ninho o filhote alimentou
Vejo versos no abraço de um amigo que caminha ali comigo esbanjando seu amor
Vejo versos na vida de um povo que trabalha oprimido, mas que luta com pudor
Vejo versos em todo movimento, na água e no vento, no frio e no calor
Vejo versos no homem que é finito, no poeta, no indivíduo que em Deus se inspirou.
(Morais Filho)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Nos Braços da Liberdade


Eu agora vou falar
Do que me aconteceu,
Essa história é real,
Quem vivei ela fui eu.
Acredite quem quiser,
Mas eu digo: tenham fé,
Esse caso ocorreu.

Todo dia ao chegar,
No meu canto vou pensar,
Penso bem sobre o dia,
No que posso melhorar,
E com essa melhoria
E construo moradia
Pra ideia repousar.

Quando um dia eu cheguei
Muito triste por demais,
Só queria me isolar,
E deixar tudo pra trás,
Procurei logo meu quarto
Meu lugar de desabafo
Onde enfrento temporais.

Quando o sono me bateu,
Bem cansado fui deitar,
Não queria refletir,
Nem a mente trabalhar,
Meu descanso garanti
Sem ninguém pra impedir
E meu sono incomodar.

Quando pude me deitar
Abraçado lá eu fui,
Dominado eu fiquei,
Não estava acesa a luz
Pra que eu pudesse ver
O que tava a me envolver.
Eu clamei foi por Jesus!

Foi quando fui levado
Pra um lugar distante.
Voando eu estava
Em braços flutuantes.
E quando eu viajava
Em meio à jornada,
Vi raios fumegantes.

Os braços me deixaram
Em cima de um monte,
E fui abandonado,
Só via o horizonte.
Fiquei ali sentado
Olhando pra o lado
Mas tudo se esconde.

Quando olhei pra frente
E vi tamanhos raios
Brilhando na cidade
Naquele mês de maio,
Somando eram vários,
Tão grandes esses raios
Que quase que desmaio!

Por meio dessas luzes
Eu vi a humanidade,
A terra que vivia
Com grande claridade,
E tudo que eu via
Naquele grande dia
Trazia liberdade.

Uma daquelas luzes
Formava uma criança,
Com um sorriso puro
Minh`alma ela alcança.
E além desse menino,
Pequeno e genuíno,
Eu vi a esperança.

A outra luminária
Formava a natureza,
Eu vi plantas frondosas
E toda a beleza
Que eu não percebia
Como naquele dia
Com toda a clareza.

E assim uma terceira,
Chegou à minha frente
Em forma de oceano,
E encheu a minha mente
Com a sua riqueza
Limpando a pobreza
Outrora residente.


Avançando outra luz,
Dirigiu-se até mim,
E a sua afeição
Vem coberta de cetim,
Como rosto de mulher
Muito linda ela é
Revelada para mim:

Pedra diamantina
Com um brilho sem igual,
Um simples objeto,
E eu via como tal,
Mas aquela grande luz
Me mostrou o que produz
Seu brilho fenomenal.

Vejo outra claridade,
Ela veio sobre mim,
Segurou em minha mão,
Em seguida disse assim:
Essa mão eu quero ver
As histórias escrever
Como céu que não tem fim.

E durante toda noite,
Muitas coisas avistei,
Na medida em que via,
Via tudo de uma vez,
Tudo aquilo da visão
Penetrou meu coração:
Uma luz ali se fez.

Em seguida um fulgor
Me levou para meu lar,
Com seus braços sobre mim
Começou a retornar,
Eu gritei: qual seu nome?
Pois agora sinto fome!
Como posso saciar?

Esses braços que chamei
Repousaram sobre mim,
Temeroso eu fiquei,
Quando ouvi dizendo assim:
Tudo isso te mostrei,
Tais belezas revelei
E pergunta sobre mim?


Eu peguei na sua mão,
E Mostrei a maravilha
De vê nalguma coisa
Além do que se via.
Prazer estar contigo,
Eu sou seu grande amigo
E me chamo poesia!

O poema me escolheu,
Libertou meu coração,
Sua prisão me envolveu:
Ela traz libertação.
Me fez ver muito além:
O encanto que se tem
Muito além duma visão.

E assim fiquei ali,
Inspirado eu fiquei,
Lá na mesa do meu quarto
A caneta eu peguei,
Escrevi esse cordel
Num pedaço de papel:
E a forme saciei.
(Morais Filho)

sábado, 12 de maio de 2012

Efeitos de Um Gesto


Muitas vezes uma pedra maltrata meu crânio,
Minhas ideias fogem de mim,
Sou um oco, um sem intelecto.
A escuridão me ofusca mesmo fitado no sol.
Meus joelhos são feridos dia a dia,
Quando de pé, minha alma está encurvada,
Fico sem forças e caio novamente ao chão.
O meu calabouço é a única testemunha desses momentos,
Meu leito bate nas minhas costas como açoites punitivos.
Onde está meu sono?
Onde está alguém?

Mas tudo se ordenou:
Um travesseiro repousou minha cabeça.
Minha mente foi curada!
Tudo ficou claro...
O crepúsculo agora é submisso à luz que me deu.
Já não dou conta de que estou de joelhos,
Minha mente tá concentrada em Deus.
Minha alma continua inclinada, agora em gozo.
A testemunha é um aconchego confortável, é meu lugar de oração.
Meu leito agora massageia meu dorso como um especialista.
Fui agasalhado com um cobertor macio,
Aquecido e seguro eu fiquei.
Oh! quão grandioso e milagroso é um abraço!
(Morais Filho)