Nessa Terra há um povo
Tão sabido e dedicado
Seja homem ou mulher,
Formam “povo respeitado”.
No lugar em que nasceu,
Lá no berço que foi seu
Ele é bem educado.
Desse berço ele conta
A história que ouviu:
Sua terra foi achada
Por um povo num navio,
Que passando perto dela
Todos viram da janela
O Nordeste do Brasil.
Hoje a mesma região
Tá bonita por demais,
Se estendeu, ficou maior.
Têm reservas florestais,
Têm comida saborosa,
Tem a cana lá da roça,
E diversos animais.
Hoje o povo se orgulha
Pelos feitos dessa gente.
No Nordeste do País
Tem um povo que é crente
Na família que trabalha,
Que do coco e da palha
Ele enfeita o ambiente.
Uma coisa ele não sabe:
Que alguns dos aliados
Que tem sangue do seu sangue,
Dum país civilizado!
Quando olham pro Sertão
Dizem bem no coração:
O Nordeste é condenado
Já parece um sermão,
Como são mal informados!
Desprovidos de riqueza,
Eles são infortunados.
Se tratando de cultura
Têm as mentes obscuras,
Eles são abestalhados.
Não conhecem nem sequer
A cultura desse povo,
O que eles têm ganhado,
Do trabalho e do esforço
Que ajuda o Brasil
Uma vez e outras mil
A na mesa ter almoço.
É um povo tão sabido
Esse povo do Nordeste,
Uma terra tão bonita
Que do Norte ao seu Leste
Corre o rio que mata sede:
Tudo que adentra nele
Deixa a sede e se despede.
O seu nome é São Francisco,
Mas também têm as Bacias
Que dão brilho ao Nordeste
Que até têm serras frias:
São algumas exceções
Que não abrem os portões
Para o sol do meio dia.
É verdade que o dia
No Sertão é bem voraz,
Quando nele o sol nasce
Lá nas nuvens, bem por trás,
Gera tão grande calor
Que aquece com ardor
Nossa terra e animais.
É assim nessa inclemência
Que o sol olha pra gente,
Bebe a gota da biqueira
E a terra logo sente.
Mas o povo do Sertão
Sempre unido dá as mãos
Para o seu adjacente.
Essa gota que o sol
Sem nenhuma piedade
Logo fez evaporar,
Foi um ato de maldade
Que o povo do sertão
Dissipou em oração
E pagou em caridade.
Pois a vida dedicada
Pro Nordeste o homem tem,
Quando a terra esta seca
Ele age e faz o bem.
Ele sabe dividir:
“Um pra ele, um pra mim”
Todo pouco que se tem
E das folhas de sua mata
Faz bom uso o Nordestino,
Dela mesmo sai o chá
Que envolve até menino
Que trabalha com o pai –
Ao roçado ele vai
A pular como Girino.
O menino na infância
Pisa o solo escaldante,
Com os pés se preparando
Pra andar como gigante
Que não teme o calor
Muito menos essa dor
Que lhe é tão perfurante.
Me admiro do que passa
Esse povo Nordestino
Que saindo da sua terra
Logo virá clandestino,
Não por todos, a saber,
Por aqueles, ao meu ver
Desprovidos de ensino.
Lá distante do seu lar
Ele atura preconceito,
Sofre da ignorância
Dum lugar que é mal aceito
O Nordeste do Brasil,
Um lugar que é tão viril
Mas que sofre desse jeito.
Outro dia uma moça
Duma certa região
Disse que não somos gente,
E com essa afirmação
Ela tá sendo punida,
Temos pena da sua vida
Lhe faltou o coração.
No Nordeste nós sabemos
Respeitar a toda gente,
Nessa terra têm poetas
De cordel e de repente,
Da viola e da falada
Com a rima galopada
Nós mostramos a semente
Que usamos pra entrar
Mesmo sendo a paulada
Em qualquer população
Como fez Luiz Gonzaga:
Com o som do seu Baião
Que falava do Sertão
Com Sanfona e zabumbada.
Como ele, esse povo
Topará qualquer parada,
Mostrará disposição
Pra tocar sua jornada.
Esse homem do Sertão
Leva um fardo numa mão
E na outra uma boiada.
Ele aprende logo cedo
O que é ser cidadão,
Que aqui todo rapaz
Deve ter dedicação
Pela terra que nasceu
Para ver que o que comeu
Foi do fruto de suas mãos.
Mesmo tendo pouca água
Para sua produção,
Que devido pouco chuva
E faltando cacimbão,
O Nordeste sabe bem
Da coragem que se tem
Quando juntam suas mãos.
Esse clima que hoje faz
Muita gente lamentar,
É o mesmo que hoje leva
Esse povo a lutar,
A mostrar o seu valor,
De um povo educador,
Pois covarde aqui não há!
E na seca em que vive
O Nordeste a chorar,
A semente logo surge
Com o seu lacrimejar,
Uma planta nasce junta
Com suor e com Labuta
Pra na sombra ali ficar.
Essa sombra que ali
Se encontra no celeiro
Do Sertão do meu Nordeste
É formada por pedreiro,
Por doutor e professor,
Por meu pai e meu avô,
Pelo grande Carpinteiro
Que no meio dessa seca
Ele ouve o clamor
Do padeiro, do engraxate,
Do servente e agricultor
Que compõem essa planta
Dessa terra que é santa
E quem tem tanto valor.
Com as costas bem queimadas
O Sertão é protegido,
Não importa se a dor
Tá custando um gemido,
Mas que dela possa ver
Que o homem ao gemer
O Nordeste é esculpido.
O país precisa ver
Como é o meu sertão,
Que vivendo numa seca
Ele tem um coração
Do tamanho da grandeza
Do jardim da natureza,
De uma grande plantação
As mulheres dessa terra
Como flores elas são.
Muitos dizem que só sabem
Trabalhar com o sabão,
Pois estão bem enganados,
Vão pagar pelos pecados
Que lhes tomam o coração.
A mulher que aqui reside
É a tal inspiração
Que ilumina o Nordeste
A compor sua canção
Da mais bela serenata
Entoada na jornada
Da história do Sertão.
Quanto ao homem que está
No Nordeste a viver
E que ama sua cultura
Abre os braços pra você
Que ofende sua história,
Que rejeita sua glória,
Para aqui o receber.
(Morais
Filho)
Meus parabéns! Está fantástico.
ResponderExcluirRealmente, um cordelista!
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