terça-feira, 3 de abril de 2012

Descaso

Quadro de Braune Oliveira e Poesia (descaso) de Morais Filho

Hoje me sinto mal,
Sinto-me, não sei explicar.
Meus sentimentos são subjetivos,
Meus sentimentos são objetivos...
Dos poderosos!
Como sofro!

Sou o alvo quando peço,
Muitas vezes,
Sou o gozo...
A isca que engana muitos.

Que importa o que sinto?
Alguém sabe o que sinto?
Sou o cinto de segurança
Que aguenta o impacto
Das necessidades vulcânicas deles...
Dos poderosos!
Como sofro!

Ei, estou com fome!
Olhem, vocês disseram que carrego o futuro da nação!
Cuidem dele!
Já não se lembram de mim,
O período não é de colheita.

Sou semente não regada,
Sou usada nas madrugadas,
Sou fertilizante pra suas posições - preferidas
O esterco comercializado sou eu.

Sou a sociedade?
Mas vocês disseram que...
Ah! Desculpem-me, faz tanto tempo...
Fiquei doente de amnésia.
O tempo é longo.

Na próxima vocês dizem mais,
Enquanto isso está à disposição
O instrumento que torna no tempo oportuno
Aos anseios...
Dos poderosos!
Como sofro!

Só recebo pão, ele nunca está completo.
Meu corpo vai explodir!
Meus sentimentos... Vão desabrochar?
Porque vocês me deram?
Dou-me completamente, no mais íntimo.

Sou objeto de “valor”, talvez nessa época,
Naquela, sou descaso.
(Morais Filho)

2 comentários:

  1. Entrelaçar a arte da poesia ao desenho foi brilhante! Os artistas Morais e Braune estão de parabéns!

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  2. Esse trabalho de junta a poesia com a arte ficou de uma forma esplendida, excepcional. Você esta de parabéns continue assim.

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